10/07/2007
Salve a criação que me salva
Morder a própria humanidade desnuda até que não doa mais. Observar o olhar agudo da alma em direção ao abismo do tempo. Saber que a tormenta de sentimentos é vã e que não há salvação nem lugares ideais. Encher-se de insensatez e ser sincero ao menos merecedor dos amigos. Fazer do amante o par ideal no momento ideal sem que se creia em tal ingenuidade. Suportar o silêncio da incompreensão como uma dádiva. Melhorar a vida do outro e fazer brotar acontecimentos. Aceitar o não como se fora um sim na perspectiva da longevidade e decrepitude da carne. Ser anticristão e permitir a insanidade invadir o coração que não é lógico. Inventar perspectivas outras diante da óbvia e ordeira convivência dos vivos. Soar música por todo o corpo, porque nela não alcançam os males destrutivos da aniquilação definitiva, pois há de haver som mesmo depois do fim. Acocorar-se como quem reza e encostar o queixo no joelho num abraço sem julgamentos do si imperfeito. Levitar empurrando a alma para junto das aves e nuvens que não nos precisam. Berrar o som dos destemidos que fazem girar as moralidades temporais. Saltar por cima de si mesmo se for preciso para sorrir ao menos uma vez cada dia. Esquecer, pois que assim tudo flui.
Assinar:
Comentários (Atom)