28/02/2007
E agora Fortaleza... para onde?
Em tempos idos nessa cidade, explodia-me em cores de Almodóvar. Hoje me salvo no final de semana da repetição. Sem pressa, sem culpa. Saboreio o virtual que promete e não cumpre. Folheio programações moribundas. Não alcanço o É das coisas. E mesmo sem Clarice, me sinto ir “como meu cachorro”. Sequer tenho vocação para cometer um crime. Queria nesse instante ser um crime, chocante e irresolúvel. Queria estampar as manchetes como quem estréia na roda-viva da vida e segue gargalhando à toa, como os legítimos brasileiros. Tudo isso para chamar a atenção da Prefeitura, dessa Prefeitura. Irrita-me e dói a esmola que nego por negar em vão a paisagem da cidade que me nega. Em Fortaleza, onde achar a cura para o tédio das ofertas de produção cultural? Nos cartazes vermelho e branco da Lôra que anunciam um devir que não se cumpre? Ou na promessa do “mesmo” que se inicia no CAMBEBA? Em Fortaleza onde cumprir a rotina do lúdico sem reclamar? Agarrar-se aos amigos já não basta para preencher a vontade de engolir com prazer essa cidade. Na praia dos turistas sexuais ainda nos salva o belo mar que, inocente, compõe a paisagem da especulação imobiliária. Especulemos, pois nós mesmos para onde nos levam as ondas vermelhas da política que nos acariciaram com seu véu de mudanças possíveis. O que, na área da cultura, ainda é possível ser feito pela terra de Iracema? Lembro-me agora de Adoniran Barbosa – “Iracema, você atravessou na contramão”. A mão da gestão cultural dessa cidade está dormente. De tanto não ousar segue sonolenta. Rumo a que? Rumo a unir-se à outra mão e num gesticular de militante permanecer dantescamente pedindo votos? Para que cara-pálida? Para quem?
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Um comentário:
Minha cara cara-pálida,
Para onde a mesmice desbotada, desmiolada e desenfreada ainda há de crescer?
Para onde.
(.)
Ponto. Repito.
Tento em vão responder-te com tua própria pergunta: para continuar atravessando na contramão, ou pior seja talvez, para continuar rodando em círculos dormentes.
E só descubro novas perguntas antigas:
até quando?
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