27/02/2007
Quando a ciência chega tarde demais...
Ela tentava reinventar-se e ser outra no gerúndio do dia. Nunca conseguia. Nada adiantava. O bom senso das contas sempre vencia. A profunda invisibilidade do que era diante da história a consolava, mas apenas momentaneamente. Aconteceu, porém de seu corpo não se contentar com tamanho óbvio. Tinha de haver saída para ele e apenas para ele. Pressentindo que o pior já estava dado, revoltou-se e desobedecia aos pensamentos de vão contentamento da garota. Lubrificava-se num crescente de dias sem seu consentimento. A preguiça lhe vinha em horas mais impróprias do cumprimento do dever. Era, sobretudo contra o dever que ele, tomado pela revolta de não-ser agia. E eis que agora seu corpo era. E era das formas mais inconvenientes e constrangedoras. Aquele cara, aquele que jamais seria nada além de mais alguém, passara a ser alvo de insinuações pornográficas jamais pensadas por aquela garota. Seu corpo agora falava e sem sabê-lo ela seguia duvidando de alguma doença ou mal-estar passageiro. Como sua rotina continuasse a mesma, sequer lhe ocorreu que não dependia mais dela o pulsar do desejo. Daquele momento em diante ela seria vítima de seu próprio corpo que ao reinventar-se não se continha sequer diante da mais remota possibilidade de saciar-se. Nenhuma revista de folhetim conseguiria salvá-la. O que antes era fantasia agora se fazia ato sem pudor algum. E como afogado, ela seguia sem entender direito o que estava havendo. Tentou em vão comprimidos tarja preta e ainda assim nada continha o ímpeto daquele corpo insurgente. Pobre garota. Tempos depois ficou sabendo de alguma incompreensível explicação genética para seus atos lúbricos. Porém chegara tarde a ciência, pois eram incontáveis as brincadeiras experimentadas e ela não parava. Simplesmente não conseguia.
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Um comentário:
kkk adorei isso!
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