08/03/2007
No Dia Internacional da Mulher, ouviu tiros!
O corpo feminino ainda vai reagir a toda essa opressão das roupas e enfim liderar uma revolução corpénica – coppola – corpuda – corporal – corpulenta – corpazil. Que corpinho! Detinha-se em um belo par de peitos. Adorava o corpo feminino apesar das imagens ainda marcantes de uma adolescência plena de homoerotismo. Era assim que pensava, em voz alta, enquanto folheava algumas revistas ditas masculinas. Sua perspicácia não ia além do óbvio. Estava à toa. Acabara de chegar em casa e jantar. O trabalho hoje até que não foi dos piores dias. Porque revistas masculinas se na verdade estão cheias de mulheres nuas? Cismou. Essas é que deveriam ser chamadas de revistas femininas, ou melhor, pornô-femininas. As feministas que se fudessem, mas mulher nua era fundamental para todos, para tudo. Inclusive para elas próprias. Lembrou da sua ex e mais marcante namorada que lhe dera um fora pelo seu primo idiota. Idiota e funcionário público com estabilidade, coisa que ele não era. No fim das contas deu razão a ela. Ele também perseguia a estabilidade nos jornais de concursos públicos. De repente ouviu tiros! Vinham da casa dela. Do apartamento ao lado de sua vizinha linda e loura que era oxigenada e sempre com chapinha, mas sexy, muito sexy. Abriu a porta do apartamento num pulo e foi até lá. Ela estava com um vestido de cetim vermelho. Vestido ridículo. Vestido rasgado e com cara de alugado para baile de formatura. O cabelo recém saído de mais uma chapinha pingava sangue combinando com o vestido - reparou. Puta merda! Que porra tinha acontecido naquele apartamento e porque ele, justamente ele, tinha de ser a testemunha escolhida daquela cena de folhetim? Deus não é justo – pensou. A loura tremia e o nome dela não lhe vinha à cabeça nem a pau. Revólver em punho ela olhava pra ele com espanto e horror com se fora ele o assassinado. O morto estava ali bem aos seus pés e ele pateticamente sem conseguir pronunciar nada. Seu gesto foi o mais imbecil e insensato possível. Coisas que um homem só faz por uma mulher. Que mulher! Foi até ela e tomou-lhe da mão o revólver. Abraçou-a. Pela primeira vez, abraçava-a. E o revólver encostado à cintura da loura estava sobrando naquele abraço. A única coisa que lhe veio à mente foi: Feliz dia internacional da mulher! Dito de forma tímida e ao pé do seu ouvido. É que além de gostar de louras ele era fã das vilãs de revista em quadrinho.
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Um comentário:
melhor que mangá!
"...e o nome dela não lhe vinha à cabeça nem a pau."
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