21/03/2007

Laçinhos cor-de-rosa, pra você amor!

A morte tem sido minha obsessão há algum tempo, e você sabe disso, embora não tenha tendências suicidas. Não se trata de medo da morte e sim de medo do fim da vida antes que ela se mostre em todas as suas virtudes. Já discutimos tanto isso. Você se zanga. Não quer falar. Sua ingenuidade me comove. Seus rituais religiosos também. Mas isso não afasta a força do acaso. Os anos que virão me amedrontam, pois tenho medo de não me tornar um Eu Pleno nesse tempo que me resta. E você, não quer falar. Nunca quer falar. Mas amanhã, quando você chegar do trabalho vai ver que espalhei laçinhos cor-de-rosa na casa por toda parte, pra te mostrar que a ficção pode invadir nossa realidade e nos fazer duvidar dessa realidade que não passa de ficção diante da morte. Então que tal você também colocar laçinhos cor-de-rosa no meu caixão?! Se eu morrer primeiro, é claro. Aí verá que até a dor pode ser invadida pela ficção. Imagine você que não há nada de mais inusitado que um caixão repleto de laçinhos cor-de-rosa ladeando o corpo. É engraçado. Você costumava não me levar a sério só porque eu ria demais, ria de tudo e, sobretudo ria da morte. Ainda rio, e muito. Nada mais patético que esse negócio de morrer. Nada mais mágico que esse negócio de viver. Então decidi hoje que no seu próximo aniversário vou te presentear com uma foto minha onde eu estarei com um enorme laço cor-de-rosa na cabeça. Será um belo laço de cetim, só pra eu te ver rindo outra vez e sempre. Faz tempo que não te vejo assim. E me odiando de mentirinha por eu amar o ridículo, o patético, o que não combina. Não gosto da cor rosa que você adora, mas por amor, meu amor, até mando pintar meu fusca de cor-de-rosa só para te agradar e te amar ainda mais por te ver gargalhando. Rindo do meu jeito de querer te agradar. Decidi agora que vou te dar hoje essa carta que era só pra semana que vem. E devo terminá-la logo porque daqui vou direto pra oficina pintar meu carro. Assim ele vai combinar com esse papel cor-de-rosa que vou te entregar depois que você ouvir a buzina do meu fusca cor-de-rosa. Desce amor e vem receber minha carta de amor agora. Estou te escrevendo do meu fusca, de frente da tua casa. Não posso esperar mais pelo teu sorriso, desce e vem receber tua carta e meus beijos, também cor-de-rosa. E se assim você quiser, amor, iremos agora, juntos, pintar meu o fusca, porque tudo isso é o contrário de morrer. Desce. Bi bi Bi bi Bi biiiiiiiiiiiiiii............

Um comentário:

Josy Maria disse...

"Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!..."

(Florbela Espanca)



bibiiiiiiiiiii! rsrs