Enfurecida, entrei em casa rasgando todos os laços, arrancando raízes, sublimando desejos, atenuando culpas, cegando a memória. Nada deveria ficar intacto até que meu sangue parasse de ferver. E você era o alvo. Atirei nas sombras das lembranças para implodir tudo o que explodia meu peito no devagar dos dias. Foda-se! - era a verbo. Cale-se! - era a ordem. Nunca mais! - era tudo o que deveria acontecer. Minha paz de volta - era o meu objetivo. Pus-me sombria até conseguir a certeza insana da vontade de desaparecer pra longe de ti. Os presentes não quebrei, nem destruí – vendi, para ofender-te no teu modus vivendi e te relevar o meu avesso. As idas e vindas dos nós na garganta enfim se desfaziam. Fiz esforço para pensar contra meu corpo e deixá-lo fora daquela história toda. O dia era aquele. Toca a campainha, entra você e um amigo imbecil. Meu Deus, porque nunca o chamei de imbecil?! Porque nunca revelei assim, de pronto, como uma criança ou um louco, que eu o achava um completo imbecil. Fui até a porta. Abri. – Entrem. Sorri cínica. E completei - um imbecil e um ex-marido juntos! O tempo parou de respirar e dois sorrisos constrangidos preencheram a sala. O cheiro da traição empestou o ar e exalava de seu sorriso. O amigo imbecil era o álibi. Fim.
Desfiei todo o rosário dos desesperados: consultei mapa astral, amigos pra conversar, insônia, ginástica pra auto-estima, bares, álcool, muito álcool, alma corroída, perna desobediente, olhos vermelhos, choro sem fim, emagreci, me culpei, te maldisse.
E hoje, depois de tanto tempo, eu e você aqui nesse motel, me desconforto e te pergunto: - Como vai sua vida? E enquanto conversamos me digo em silêncio: - Caralho, acabou mesmo! Felicito-me.
28/03/2007
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