Fui ameaçado de morte por um professor. Não dei importância. Pensei que se tratasse de blefe, desequilíbrio de alma inútil. Mas não, ele percebeu, não sei como. Talvez no meu olhar que fitava inocente sua mediocridade há algumas horas-aula. Meu corpo naquela sala era mais um, pensava eu. Nunca fiz questão de exibir discordâncias. Além do mais, eu o achava até esforçado na sua pequenez d’alma. Ele sempre se apresentava muito distinto no vestir, camisa escondendo os pulsos e sua sexualidade inexistente. Era pai de família, filho de pais infelizes e fez doutorado a duras penas, sem bolsa. E porque eu? Logo eu? Disfarçava-me de gente comum pra não dar na vista. Protegia-me. Como diabo ele soube onde estavam guardados meus pensamentos? Trazia-os comigo em pasta comum, daquelas de promoção, e jamais me afastava dela por muito tempo. Mas um dia, um dia qualquer, deixo a pasta na carteira e saio para mijar antes do início da aula. Quando retorno, o vejo lendo, ele leu tudo. Não titubeou, o revólver já estava lá, sob a camisa passada. Atirou. Acertou-me em cheio.
28/03/2007
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