Desde adulto sei que é proibido aos amantes o momento agudo e abissal da tristeza amorosa sob pena de classificação doentia.
Adoeço e não me interessa o diagnóstico.
Adoeço e não me interessa a compaixão.
Adoeço e não me interessa a cura.
Adoeço e brado aos soldados mortos que o amor negligencia guerras e isso o torna perigoso. É tão somente a eles que declaro meu amor, aos vivos não, pois que ainda lhes é dada a chance do ridículo:
Meu amor pula as muralhas de todas as chinas.
Meu amor é frágil como um passarinho órfão recém-nascido em plena chuva.
Meu amor envelhece sorrindo e chupando sorvete.
Meu amor rasga o silêncio da timidez e declara sua necessidade na sarjeta sem nenhum pudor.
Meu amor está pronto para ser apedrejado.
Meu amor desafia orientações sexuais.
Meu amor é ingênuo como uma criança.
Meu amor é intenso como um crime.
Meu amor não obedece ao correr das horas.
Meu amor trai as convenções.
Meu amor sacraliza o momento do coito.
Meu amor desconhece a modéstia.
Meu amor atravessa descalço desertos insones.
Meu amor desconhece estado civil.
Meu amor canta sua existência sob tortura.
Meu amor trapaceia para se manter vivo.
Meu amor resiste aos nãos.
Meu amor insiste em sims.
Meu amor é seu, ainda que não seja você o meu Amor, tão meu...
01/04/2007
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