Fiz-me rua para suas andanças desde cedo. Encontravam-me sempre por acasos de destinos desatinados. Jorravam em mim seus líquidos de um dourado quente nos momentos de aperto. Vomitaram-me tantas vezes suas ausências de vida. Da lama, os recolhi outras tantas. Quando saciados tomavam atalhos para me desviar. Fiz-me sinuosa, ajardinada e estreita para subir seu prazer. Das famílias nunca sentiam saudades em minha companhia. Em altas horas da noite, quando o prazer é mais seguro aos olhos do interdito, vinham a mim todos os insaciados. Dormiam sono leve as esposas. Delas jamais quis arrancar-lhes os nomes: Terezas, Marianas, Cláudias, Samaras, Raquéis, Paulas, Marias, Elianas, Rosanas, Elenis, Valdelices, Silvias, tantas, não importava. A elas sempre dediquei firme indiferença. Eram mulheres, e esposas, e namoradas, e mães e amavam ou não mais. De inesperada esquina veio você, atropelando-me tal qual passeata juvenil, fuga de assalto a banco, carreira de cachorro vira-lata, pressa de gravidez desfeita. Vem. Invade-me as coxias. Alaga-me de madrugada uma torrencial chuva de pele. Varre-me a memória dos outros. De todos. Passeia-me de mãos dadas e exibicionistas. Topa-me nas calçadas e cai de corpo inteiro em meu acalanto. É a ti minha procissão. Interdita-me a saudade do teu caminhar para longe de mim. Meus bueiros te gritam em uníssono: teu endereço sou eu.
04/04/2007
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