15/04/2007

Dias inglórios!


Dias de macarrão instantâneo.
Cheiro de ônibus lotado ao meio-dia.
Sabor de salário atrasado.
Dor-de-barriga de contas não pagas.
Humor de aniversário sem presentes.
Mau hálito de mentiras desnecessárias.
Impotência de doença terminal.
Gargalhadas de álcool.

Ímpeto de bares fechando.
Queimadura de desencontros.
Fumaça de desentendimento banal.

Tontura de querer alcançar o inalcançável.
Choro de final infeliz.
Esquecimento.

Viva o esquecimento!

Um comentário:

Marconi Basílio disse...

Dia de não saber: que horas são, que gente falta, que tarefa basta... Dia de ficar sem ser, sem querer, de palitar dentes sem restos de comida. De quase não existir... Dia de passar despercebido e escondido, de não estar pra ninguém. Dias há em que paro diante da vida com uma preguiça abismal de fim de dia, de conclusão de etapa, de depois de, de sem esperar nada, de nada esperar sem nada poder, sem quase não ser. Dias há em que desisto, que canso de morte e morro por quase inteiro. O céu tá lá, bebo sua tranqüilidade e me espalho azul translúcido de quase ar. Dias há em que sem voz alguma julgo ter dito algo-coisa que passa por entre meus dentes e em saída sorvo-o como um doente sabedor do pouco tempo e bebedor do tempo que lhe resta. Sou todo esquecimento de mim, todo momento de perdição e todo prazer sem ser. Sou meu servo, sem vontade, devedor de si por si, soberano do sem saber-se, fugaz, aparição, fantástico e estático. Fugacidade do talhe de um dia inteiro. Já fui, valeu...